Tecido em vagares simples, rotinas que se perpetuam em mãos femininas. Os dias espumando, o tempo passando, deixando rasto. Situa-se nos sixties e numa atmosfera memoralista da Segunda Grande Guerra. Uma jukebox, que não vemos, vai repetindo uma marcha militar - num bar cozy - que me relembra os filmes americanos, e os lamentos feridos que ficam do final das guerras. "Os melhores anos das nossas vidas" já passaram. Icones da cultura americana, o hamburger, o beisebol, a cerveja, misturam-se e fazem parte do lar. No entanto, os shôji, deixam passar a luz, sabemos que não o olhar, e um objecto de arte, um bronze ou arranjo floral, criam aquela harmonia oriental, que nos suspende a respiração aquietando-a. A servidão feminina é uma falsa aparência, antes uma missão. Missionárias do bem-servir, controlam a economia do lar, a fraqueza dos seus homens. Ora votadas ao casamento, ora a cuidar da figura paterna, quando esta enviuva. Os homens bebem e fraquejam muito. Por vezes elas choram, mas é raro. São subtis nas emoções.
Sandra Pereira com inspirações em Elogio da Sombra, Junichiro Tanizaki

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