sexta-feira, 9 de novembro de 2018


Se eu bombear o meu sangue
Contra o nascer do sol
Deixarei o meu peito aberto
Mastigadas chamas de fuligem e vidro
(Gosto de vidros partidos)
Alertando-me para o que vem depois
Das coisas que nos transparecem
O meu sangue morreu
Enrolado em folhas de Inverno
E peles de animais metamórficos ou eternos
O coração, porém
Bombeia
Uma estranha viscosidade
Semelhante a uma árvore
Cortada e um dedo amputado
Não há em lugar algum
Redenção, esperança ou desejo
De ter em simultâneo
Dois nascer de sóis
No plural, solitários
Invisíveis um para o outro
Às vezes, antes de adormecer
Concentro-me na corredura do meu
Sangue
E não o oiço
Mas lá fora, sei bem
Que aves tecem o fim